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A Revolução da Inteligência Artificial no Mundo do Trabalho: Previsões e Realidades

  • Foto do escritor: Larry Sackiewicz
    Larry Sackiewicz
  • 15 de jul.
  • 11 min de leitura

Atualizado: 15 de jul.

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A Inteligência Artificial (IA) emergiu como uma das forças mais disruptivas e transformadoras do século XXI, com um impacto profundo e multifacetado no mundo do trabalho. Longe de ser uma mera ferramenta tecnológica, a IA está redefinindo fundamentalmente as estruturas organizacionais, as funções profissionais e as habilidades necessárias para o sucesso na força de trabalho global. Para compreender a magnitude dessa revolução, é imperativo analisar as perspectivas dos extensos estudos à projeção do futuro do trabalho na era da IA.

 

Este artigo explora as previsões e os insights dessas renomadas instituições, detalhando como a IA já está alterando o panorama profissional e o que podemos esperar nos próximos anos. Abordaremos as tendências atuais, as projeções futuras, os desafios inerentes e as oportunidades emergentes, fornecendo uma visão abrangente sobre a interação dinâmica entre a inteligência artificial e o capital humano.

 

O Cenário Atual: IA Redefinindo o Trabalho Hoje

 

Atualmente, a IA já está integrada em diversas facetas do ambiente de trabalho, desde a automação de tarefas repetitivas até a otimização de processos complexos e a personalização de experiências. A sua presença é sentida em setores que vão da

manufatura ao atendimento ao cliente, da saúde às finanças, e do marketing à pesquisa e desenvolvimento. A capacidade da IA de processar e analisar vastos volumes de dados em velocidades sem precedentes permite que as empresas tomem decisões mais informadas, identifiquem padrões ocultos e prevejam tendências de mercado com maior precisão.

 

No entanto, o impacto mais significativo da IA não se limita à eficiência operacional. Ela está provocando uma reavaliação fundamental das habilidades valorizadas no mercado. Enquanto algumas funções podem ser automatizadas, outras são aprimoradas, e novas profissões surgem, exigindo uma força de trabalho mais adaptável e com foco em competências como pensamento crítico, criatividade, inteligência emocional e, crucialmente, a capacidade de colaborar efetivamente com sistemas de IA.

 

Uma Transformação Estrutural e de Habilidades

 

A Gartner tem monitorado de perto a evolução da IA e suas implicações para o futuro do trabalho. Suas previsões destacam uma série de mudanças estruturais e a necessidade de uma redefinição das habilidades profissionais para os próximos anos.

 

  1. O Achatamento das Organizações (Até 2026)

 

A Gartner prevê que, até 2026, 20% das organizações utilizarão a IA para achatar suas estruturas hierárquicas, resultando na eliminação de mais da metade dos cargos de gerência média. Esta projeção aponta para uma mudança radical no design organizacional.

 

Tradicionalmente, as empresas operam com múltiplas camadas de gestão, cada uma responsável por supervisionar equipes e processos. A IA, com sua capacidade de automatizar a coleta, análise e disseminação de informações, pode assumir muitas das funções de coordenação e supervisão que antes exigiam gerentes de nível médio. Isso não significa o fim da gestão, mas sim uma evolução para um modelo onde os gerentes se concentram mais em funções estratégicas, como o desenvolvimento de talentos, a inovação e a cultura organizacional, enquanto a IA gerencia as operações rotineiras.

 

  1. A Ascensão da Força de Trabalho Aumentada por IA (Até 2027)

 

Outra previsão significativa da Gartner é que, até 2027, 40% dos trabalhadores do conhecimento utilizarão ferramentas aumentadas por IA diariamente, aprimorando sua produtividade e capacidade de tomada de decisões. Este é um ponto crucial que desmistifica a ideia de que a IA substituirá massivamente os empregos. Em vez disso, a IA atuará como um copiloto, capacitando os profissionais a realizarem suas tarefas de forma mais eficiente e eficaz.


Ferramentas de IA podem auxiliar na pesquisa, na análise de dados, na geração de conteúdo, na automação de tarefas administrativas e na identificação de insights que seriam difíceis ou impossíveis para um humano processar sozinho. Isso leva a um aumento da produtividade individual e organizacional, permitindo que os trabalhadores se concentrem em atividades de maior valor que exigem criatividade, pensamento crítico e interação humana.

 

  1. A Evolução de Habilidades e Aprendizagem (Até 2028)

 

Para acompanhar essa transformação, a Gartner projeta que, até 2028, 60% das empresas redesenharão seus programas de aprendizagem e desenvolvimento para focar em habilidades relacionadas à IA incluindo engenharia de prompt, ética da IA e colaboração humano-IA. A demanda por novas habilidades é uma consequência direta da integração da IA no local de trabalho. A engenharia de prompt, por exemplo, refere-se à capacidade de formular perguntas e instruções eficazes para sistemas de IA, a fim de obter os resultados desejados.


A ética da IA torna-se fundamental à medida que a IA é usada em decisões críticas, exigindo que os profissionais compreendam e mitiguem vieses e garantam o uso responsável da tecnologia. A colaboração humano-IA, por sua vez, envolve a capacidade de trabalhar sinergicamente com sistemas de IA compreendendo suas capacidades e limitações. Isso sublinha a necessidade de um compromisso contínuo com a requalificação e o aprimoramento de habilidades para que a força de trabalho permaneça relevante e competitiva.

 

  1. Tomada de Decisão Orientada por IA no Nível do Conselho (Até 2029)

 

Uma previsão mais audaciosa da Gartner é que, até 2029, 10% dos conselhos globais utilizarão a orientação da IA para desafiar decisões executivas que são materiais para seus negócios. Isso representa uma transformação profunda na governança corporativa.


A IA pode fornecer aos conselhos e líderes executivos análises de dados em tempo real, simulações de cenários e insights preditivos que podem questionar suposições tradicionais e validar ou refutar estratégias propostas.


A presença da IA no nível mais alto da tomada de decisões corporativas demonstra a crescente confiança na sua capacidade de fornecer inteligência acionável e imparcial, levando a decisões mais robustas e baseadas em dados.

 

  1. O Imperativo da Colaboração Humano-IA (Contínuo)

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Finalmente, a Gartner enfatiza que o sucesso da integração da IA depende de uma colaboração eficaz entre humanos e IA, onde a IA é vista como parceira e as considerações éticas e a transparência são primordiais. Esta é uma mensagem recorrente em todas as previsões da Gartner. A IA não deve ser implantada como uma solução isolada, mas como parte de um ecossistema onde humanos e máquinas trabalham em conjunto. Isso exige uma cultura organizacional que promova a confiança na IA, a compreensão de suas capacidades e limitações, e um forte compromisso com a ética, garantindo que a IA seja usada de forma responsável e para o benefício de todos.

 

  1. Prontidão, Potencial e Desafios de Liderança

A McKinsey oferece uma perspectiva complementar sobre o impacto da IA no trabalho, com foco na prontidão das empresas e dos funcionários para essa nova era, bem como nos desafios de liderança e nas inovações tecnológicas que impulsionam a transformação.

 

Maturidade da IA nas Empresas: Uma Lacuna a Ser Preenchida

O estudo revela que, embora quase todas as empresas estejam investindo em IA, apenas 1% delas se consideram maduras na implantação da IA. Isso indica uma lacuna significativa entre o investimento e a realização de valor. Muitas organizações estão experimentando com a IA, mas poucas conseguiram integrá-la plenamente em seus fluxos de trabalho e colher os benefícios transformadores.


A pesquisa da McKinsey aponta que a maior barreira para escalar a IA não são os funcionários – que, surpreendentemente, estão mais prontos do que se imagina – mas sim os líderes, que não estão agindo com a velocidade e a visão necessárias para guiar suas organizações através dessa transição.

 

  1. O Potencial Transformador da IA: Uma Oportunidade de Trilhões

 

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A McKinsey quantifica o potencial da IA afirmando que ela tem a capacidade de ser tão transformadora quanto a máquina a vapor na Revolução Industrial do século XIX, com uma oportunidade de longo prazo de US$ 4,4 trilhões em crescimento de produtividade adicional a partir de casos de uso corporativos. Este número impressionante sublinha a crença da McKinsey de que a IA não é apenas uma melhoria incremental, mas um catalisador para um crescimento econômico e uma inovação sem precedentes.


A IA pode otimizar processos, reduzir custos, criar novos produtos e serviços, e desbloquear eficiências que antes eram inatingíveis, impulsionando a produtividade em todos os setores.

 

  1. A Prontidão dos Funcionários: Mais Preparados do que se Pensa

 

Contrariando a percepção comum, a pesquisa da McKinsey demonstra que os funcionários estão mais prontos para a IA do que os líderes imaginam. Muitos já estão utilizando a IA regularmente em suas tarefas diárias e demonstram grande entusiasmo em adquirir novas habilidades relacionadas à IA.


No entanto, a McKinsey também observa que uma minoria significativa (41%) dos funcionários ainda está apreensiva em relação à IA e precisará de apoio adicional para se adaptar. Isso destaca a importância de programas de treinamento e comunicação eficazes para garantir que todos os membros da força de trabalho se sintam capacitados e seguros na era da IA.

 

  1. Confiança e Segurança: Preocupações Centrais

 

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Apesar do entusiasmo, a McKinsey aponta que confiança e segurança são as principais preocupações para líderes e funcionários em relação à implantação da IA. Questões como a precisão dos modelos de IA, a privacidade dos dados e os riscos de cibersegurança são pontos críticos que precisam ser abordados proativamente.


Para que a IA seja amplamente adotada e confiável, as organizações devem implementar governança robusta, garantir a transparência dos algoritmos e proteger os dados sensíveis. A construção de confiança é essencial para superar a resistência e garantir uma transição suave para um ambiente de trabalho aumentado por IA.

 

  1. O Desafio dos Negócios Não Tecnológicos

Um insight fundamental é que o desafio da IA no local de trabalho é, em sua essência, um desafio de negócios, e não meramente tecnológico. Isso significa que a implementação bem-sucedida da IA não se trata apenas de adquirir a tecnologia certa, mas de alinhar equipes, reestruturar processos e, crucialmente, de uma liderança que consiga guiar a organização através da mudança.


Os líderes precisam ter uma visão clara de como a IA pode criar valor, comunicar essa visão de forma eficaz e capacitar seus funcionários para abraçar as novas formas de trabalho.


"A transformação cultural e organizacional é tão importante quanto a inovação tecnológica."

 

  1. Inovações Impulsionadoras: O Motor da Transformação


Existem várias inovações tecnológicas que estão impulsionando o impacto da IA:


Capacidades Aprimoradas de Inteligência e Raciocínio: Modelos de IA estão se tornando mais inteligentes, capazes de passar em testes padronizados e demonstrar habilidades de raciocínio complexas, como visto em modelos como o GPT-4.

 

IA Agêntica: Sistemas de IA que podem agir autonomamente para atingir objetivos, como a automação de tarefas complexas e a tomada de decisões em tempo real.


Multimodalidade: A capacidade da IA de processar e gerar vários tipos de dados (texto, imagens, áudio), permitindo interações mais ricas e aplicações mais amplas.

 

Melhoria de Hardware e Poder Computacional: O avanço contínuo em hardware e poder de processamento é fundamental para suportar modelos de IA cada vez mais complexos.

 

Aumento da Transparência: A busca por maior transparência nos sistemas de IA, tornando seus processos de decisão mais compreensíveis e auditáveis.

 

  1. Impacto na Força de Trabalho: Superagentes e Novas Interações

 

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A IA não apenas automatizará tarefas, mas também funções cognitivas, e que ela pode reduzir barreiras de habilidades, tornando a proficiência mais acessível. É necessário que os líderes capacitem as pessoas para liberar todo o potencial da IA promovendo um estado de 'superagentes' onde humanos e máquinas colaboram para aumentar a produtividade e a criatividade.


Isso significa que a IA remodelará a interação com a tecnologia e entre as pessoas, exigindo uma nova forma de parceria entre humanos e sistemas inteligentes.


Temas Comuns e Diferenças de Ênfase entre os insights

 

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Analisamos as semelhanças e diferenças das perspectivas da Gartner e da McKinsey, e emergem temas comuns e algumas diferenças sutis de ênfase, que, juntas, oferecem uma visão holística do futuro do trabalho impulsionado pela IA.

 

Temas Comuns

 

Transformação Profunda e Irreversível: Ambas as consultorias concordam que a IA não é uma moda passageira, mas uma força transformadora que redefinirá fundamentalmente o trabalho. A automação de tarefas e a otimização de processos são apenas o começo; o impacto se estende à reestruturação organizacional e à redefinição de papéis.

 

Necessidade Urgente de Novas Habilidades: Há um consenso unânime sobre a obsolescência de certas habilidades e a emergência de outras. A requalificação (reskilling) e o aprimoramento (upskilling) da força de trabalho são vistos como imperativos para que indivíduos e organizações permaneçam competitivos. Habilidades como a colaboração com IA, a ética da IA e o pensamento crítico são destacadas.

 

Colaboração Humano-IA como Chave para o Sucesso: A visão de que a IA atuará como um parceiro ou copiloto, em vez de um substituto, é compartilhada por ambas as consultorias. A sinergia entre a inteligência humana e a artificial é considerada o caminho para maximizar a produtividade e a inovação.

 

* Desafios de Liderança e Cultura Organizacional: Ambas as consultorias apontam que a liderança desempenha um papel crucial na navegação da transição para a IA. A criação de uma cultura que abrace a mudança, promova a aprendizagem contínua e garanta o uso ético da IA é fundamental.

 

Diferenças de Ênfase

 

Foco da Gartner em Mudanças Estruturais e Governança: A Gartner tende a focar mais nas implicações estruturais da IA nas organizações, como o achatamento das hierarquias e a eliminação de cargos de gerência média. Além disso, a Gartner destaca a evolução da governança corporativa, com a IA desempenhando um papel na tomada de decisões ao nível do conselho.


Foco da McKinsey na Prontidão e no Potencial de Valor: A McKinsey, por outro lado, enfatiza a prontidão dos funcionários para a IA e a lacuna entre o investimento e a maturidade da IA nas empresas. A consultoria também se aprofunda nas inovações tecnológicas específicas que impulsionam a transformação e quantifica o enorme potencial de valor econômico da IA.

 

🇧🇷  E no Brasil, quais são as perspectivas?

 

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Para entender melhor o desenvolvimento dessa tecnologia no ambiente de trabalho, a Access Partnership colaborou com a Amazon Web Services (AWS) em uma pesquisa onde 1600 funcionários e 500 organizações no Brasil, de todos os setores, foram ouvidos.

 

O estudo revela que essa tecnologia pode dar um grande impulso na economia do país e ainda apoiar uma parte considerável das tarefas profissionais. Quase todas as organizações do Brasil serão habilitadas para receber a inteligência artificial. De acordo com a pesquisa, 97% de todos os empregadores planejam usar soluções baseadas em IA até o ano de 2028.

 

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Além disso, 68% dos colaboradores esperam que a automação de tarefas seja o principal benefício da inteligência artificial. Por outro lado, 95% dos empregadores acreditam que o departamento de TI serão os maiores beneficiários, seguidos pelas áreas de P&D e financeiro.

 

A IA generativa - que é capaz de criar conteúdo, histórias, imagens, vídeos e músicas - ganhou muita repercussão neste ano. Um exemplo foi a criação do ChatGPT e o Bard, do Google. Por conta desse impulso, o estudo concluiu que 97% dos empregadores pesquisados e 94% dos funcionários esperam usar de alguma forma, a IA Generativa em suas organizações nos próximos cinco anos.

 

A produtividade também é um ponto que os empregadores enxergam com positividade quando a inteligência artificial é utilizada em todas as funções de trabalho. Para eles, a produção pode subir em 66% com uso da ferramenta.

 

Com tantos benefícios, 80% dos empregadores consideram a contratação de talentos com habilidades e experiência em IA, uma prioridade. No entanto, a maioria deles (68%) dizem não encontrar os talentos que procuram. Por outro lado, quase 80% dos trabalhadores mencionam ter um interesse em desenvolver habilidades na área no futuro, como forma de avançar em suas carreiras. Número que cresce ainda mais quando recortado: 92% das mulheres entrevistadas indicam interesse em adquirir competências na área. Quando separado por gerações, o interesse é sempre superior a 80%.

 

A pesquisa também revela que os empregadores não estão focados apenas em trabalhadores com habilidades técnicas, como codificação. Na verdade, o pensamento crítico e criativo é ainda mais procurado.

 

Resumindo, os dados indicam que:

 

  • 68% dos colaboradores esperam que a automação seja o principal benefício;

  • 95% dos empregadores acreditam que as áreas de TI, P&D e finanças serão as mais beneficiadas;

  • 80% das empresas priorizam a contratação de talentos com habilidades em IA, mas 68% têm dificuldade de encontrá-los;

  • 92% das mulheres demonstram interesse em desenvolver competências na área;

  • O pensamento crítico e criativo é ainda mais valorizado do que habilidades técnicas.


A IA generativa (como o ChatGPT e o Bard) também está ganhando espaço rapidamente, com 94% dos funcionários esperando utilizá-la nos próximos cinco anos.

 

📌Conclusão: Navegando na Revolução da IA

 

A revolução da Inteligência Artificial no mundo do trabalho é uma realidade inegável e em aceleração. As previsões e análises embora com diferentes ênfases, convergem para uma conclusão central: a IA não é apenas uma ferramenta tecnológica, mas um catalisador para uma redefinição fundamental do que significa trabalhar.

 

As organizações que prosperarão nesta nova era serão aquelas que abraçarem a IA de forma estratégica, investindo não apenas em tecnologia, mas também em seu capital humano.

 

A requalificação e o aprimoramento de habilidades, a promoção de uma cultura de colaboração humano-IA e a adaptação das estruturas organizacionais são os pilares para uma transição bem-sucedida. A liderança visionária e proativa será o diferencial para transformar os desafios em oportunidades e para garantir que a IA seja utilizada de forma ética e responsável, gerando valor para as empresas, os funcionários e a sociedade como um todo.

 

O futuro do trabalho não será uma competição entre humanos e máquinas, mas uma aliança estratégica entre ambos, com potencial de desbloquear níveis inéditos de inovação, produtividade e impacto.

 

A jornada está só começando...


Como você e sua empresa estão se preparando para navegar essa revolução?

 

Referências

[1] SHRM. (2024, November 27). Transforming Work: Gartner’s AI Predictions Through


[2] McKinsey & Company. (2025, January 28). AI in the workplace: A report for 2025.


[3] AWS e Access Partnership. (2023, Novembro) Acelerando habilidades de IA Preparando a força de trabalho para os empregos do futuro https://assets.aboutamazon.com/65/79/b1922f06407396747782dde639ac/aws-accelerating-ai-skills-in-brazil-pt.pdf

 
 
 

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